Medicamento para o cancro usado em Portugal está a causar polémica em França


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Em França, famílias acusam as autoridades de saúde de não terem recomendado um teste que permite avaliar a sensibilidade dos pacientes à molécula usada nos tratamentos de quimioterapia. Em Portugal, registaram-se 300 reações adversas ao fármaco desde 1997, e o teste também não é obrigatório. 


Utilizadas há mais de 50 anos para o tratamento do cancro, as fluoropirimidinas estão no centro de uma polémica, em França, devido às reações adversas que causaram em doentes oncológicos com défice de uma enzima (a dihidropirimidina desidrogenase - DPD). Segundo o Le Monde, quatro familiares de doentes vítimas da toxicidade destas moléculas de quimioterapia apresentaram queixas em tribunal contra desconhecidos, por considerarem que as autoridades de saúde deviam ter recomendado um teste para avaliar a sensibilidade dos doentes ao tratamento. Por cá, foram notificadas 291 reações adversas a estas substâncias em 22 anos.

Para três das alegadas vítimas, aquele que deveria ser um tratamento para as curar do cancro, acabou por provocar-lhes a morte. Além dos três óbitos, um outro homem ficou com ferimentos graves na sequência da administração do fármaco. Agora, as famílias apresentam queixas por homicídio e ferimentos involuntários.Em causa, conta o Le Monde, estão duas fluoropirimidinas: 5-fluorouracil e de capecitabina. Segundo o advogado Vincent Julé-Parade, este é um assunto de "saúde pública", já que existirão centenas de casos de acidentes tóxicos associados a estas moléculas.
Anualmente, cerca de 90 mil pessoas são tratadas em França com 5-FU, um medicamento usado na quimioterapia ou em combinação com outros fármacos, com resultados bastante positivos no tratamento oncológico. No entanto, nos pacientes que têm défice total ou parcial da enzima DPD, os efeitos tóxicos desta molécula aumentam dez vezes, o que pode mesmo causar a morte. Por isso, quando esse problema existe, é necessário alterar a dosagem ou mudar a terapêutica.De acordo com o jornal francês, existem testes para avaliar o défice de DPD, mas, até há bem pouco tempo, apenas eram realizados em alguns hospitais do país. A 8 de fevereiro do ano passado, recorda, a Agência Nacional de Segurança do Medicamento lançou uma recomendação para que fossem realizados por rotina, e, em dezembro, o Instituto Nacional do Cancro e a Autoridade Nacional de Saúde reforçaram a necessidade de serem implementados testes de rastreio para prevenir a toxicidade com 5-FU.

E em Portugal?

Em Portugal, também não existe obrigatoriedade para fazer o teste (que custa cerca de 100 euros), mas os médicos são obrigados a alertar os doentes para um conjunto de sinais que podem conduzir à interrupção do tratamento. Para os doentes com défice de DPD, a dose de 5-FU calculada como ideal pode corresponder a uma sobredosagem.
Ao DN, a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) diz que as fluoropirimidinas "já se encontram no mercado português desde 1997 e 2001, tendo nesse sentido um perfil de segurança muito estudado e consolidado". 5-fluorouracilo e capecitabina são "utilizadas em doentes oncológicos, em situações clínicas que são sempre potencialmente graves". Relativamente às Reações Adversas a Medicamentos (RAM) notificadas, o Infarmed releva que registam-se desde 1997, 142 casos para o fluorouracilo e 149 casos para a capecitabina desde 2001. Até à data, em Portugal, "não houve nenhuma morte relacionada com a ausência ou atividade diminuída da enzima dihidropirimidina desidrogenase - DPD".Madalena Pereira dos Santos, oncologista do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, explica que "não está recomendada a realização por rotina de testes que avaliem o défice de DPD. A ESMO (Sociedade Europeia de Oncologia) também não preconiza a realização, de rotina, destas análises na prática clínica".Questionada sobre em que circunstâncias os testes são realizados, a especialista adianta que a sua utilização "deve ser ponderada em doentes que tenham tido toxicidade grave à terapêutica com fluoropirimidinas, antes de nova administração do fármaco".Já os efeitos secundários, podem ocorrer em qualquer doente, mesmo naqueles que não têm défice da enzima DPD. "É por isso essencial que os doentes tenham acompanhamento médico regular e medidas de suporte que permitam não só a identificação precoce de efeitos adversos, como também os procedimentos necessários à sua resolução", destaca Madalena Santos.
As principais toxicidades associadas às terapêuticas com fluoropirimidinas são, segundo a médica, náuseas, vómitos, diarreia e mucosite. "Pode ocorrer ainda toxicidade cardíaca (com angina e em casos mais raros enfarte agudo do miocárdico ou alterações no ECG [eletrocardiograma]), hematológica (anemia, neutropenia, trombocitopenia) e cutânea (síndrome palmo-plantar, hiperpigmentação, rash cutâneo, alopécia)", exemplifica. No entanto, quando os doentes têm défice de DPD, os referidos efeitos "podem surgir mais precocemente, ser mais graves e mais prolongados. Por este motivo, a experiência do oncologista é essencial na gestão de efeitos secundários".

Consultado 17/03 Às 16h30:
https://www.dn.pt/vida-e-futuro/interior/medicamento-para-o-cancro-usado-em-portugal-esta-a-causar-polemica-em-franca-10532438.html

COMENTÁRIO


Em causa está a medicação utilizada em doentes com cancro. Esta doença provocada pela rápida multiplicação de células malígnas desencadeia muitas vezes a morte e, infelizmente, está a atingir cada vez mais pessoas, estima-se que 2030 dezassete milhões de pessoas morram da doença. Deste modo, é importante apelar para um estilo de vida saudável, ou seja, uma alimentação adequada e exercício físico diário.
Os medicamentos dados aos doentes oncológicos desencadeou-lhes a morte. Assim, conclui-se que estes não foram devidamente testados. A negligência da indústria farmacêutica tem vindo a aumentar nos últimos anos, no entanto, esta também tem avanço a uma velocidade explosiva nos últimos anos, o que revela uma indeterminação ao que esperar desta. 
No entanto, quando não há outra alternativa, a única solução será testar medicamentos ainda não foram identificados como eficientes para o caso. Desse modo, se isso acontecer, as indústrias não deverão ser sujeitas a qualquer acusação.

Tag: Investigação

1º bebé após transplante de útero de dadora morta

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O nascimento do primeiro bebé após um transplante de útero de uma dadora morta é um avanço da medicina que vem dar esperança a muitas mulheres, mas que também relança o debate sobre os limites éticos da ciência.
"O mais importante neste caso é que se trata do primeiro parto na História a partir de uma dadora morta", realça Tommaso Falcone, Professor de Cirurgia e Diretor do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Cleveland Clinic, nos EUA.
Veja o vídeo:

O 1º transplante de útero de uma dadora morta a resultar no nascimento de uma criança abre uma nova via no combate à infertilidade feminina, mas também reacende o debate sobre os limites éticos da ciência.O parto ocorreu em dezembro do ano passado, em São Paulo, no Brasil, mas só agora é que o feito foi divulgado ao público até porque as 10 tentativas precedentes de realizar este tipo de transplante de útero falharam.A questão ética está em debate desde que a técnica foi pela primeira vez executada com sucesso no início do milénio.Vários bebés já nasceram após o procedimento, mas o útero era de dadoras vivas, o que implica sempre um risco, como explica um perito nos Estados Unidos.
"Este procedimento já foi realizado na Suécia, na Índia e em Dallas e implica sempre um risco potencial para a dadora do útero. Agora o risco é menor, mas se uma mulher não quiser que exista qualquer risco seja para a mãe ou para uma irmã, então este procedimento dá-lhe uma nova opção", refere Falcone. O chefe da equipa que executou o transplante na Universidade de São Paulo prefere afastar-se das polémicas e pensar no futuro das mulheres que querem ter filhos e não podem por causa de problemas uterinos:
"Esperamos ter mais nados-vivos nos próximos anos e queremos expandir o nosso estudo a muitas mais pacientes", adiantou Dani Ejzenberg. A parturiente foi uma mulher de 32 anos que nasceu sem útero e que conseguiu engravidar logo no primeiro ciclo de fertilização in vitro após ter recebido o transplante. A dadora tinha 45 anos e três filhos quando um enfarte lhe roubou a vida.Os detalhes do procedimento estão publicados na prestigiada revista de medicina, Lancet.
COMENTÁRIO


Este artigo acende, mais uma vez, a oposição entre a ética e a ciência (engenharia genética). Se analisar-mos bem, vemos que apesar do risco, isto não é nada que seja prejudicial. 
Ainda mais, esta nova técnica possibilitará mães com problemas de fertilidade independentemente de qualquer que seja o fator (oncológico, hereditário, etc). Deste modo, várias mulheres que desejem ser mães e estejam a estar sujeitas a este procedimento, deveriam fazê-lo, pois neste caso, quem deve intervir e achar se é correto ou não são as mulheres envolvidas e não os defensores da ética.
O mundo poderá avançar imenso e a ciência fazer coisas inesperadas se abandonar-mos os receios da moral e tentarmos explorar novas alternativas aos nossos problemas. Assim, mulheres saudáveis que faleçam numa idade precoce (e que desejavam ser dadoras de órgãos), poderão contribuir para várias mulheres que desejem ter filhos.

Tag: Genética

Cientistas identificam proteína que coloca cromossomas de pai e mãe em pé de igualdade

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Cientistas portugueses identificaram, numa experiência com a mosca-da-fruta, uma proteína que promove a compatibilidade entre os cromossomas maternos e paternos após a fertilização, perspetivando uma nova abordagem no diagnóstico da infertilidade.
O estudo, hoje divulgado, foi realizado por uma equipa do Centro de Investigação em Biomedicina da Universidade do Algarve e do Instituto Gulbenkian de Ciência liderada por Rui Gonçalo Martinho e Paulo Navarro-Costa.


A proteína em causa, a dMLL3/4, "permite que o óvulo [célula reprodutora feminina] fertilizado seja capaz de assegurar não só a correta divisão dos cromossomas maternos como também a descompactação da informação genética paterna", refere um comunicado conjunto das duas instituições.Paulo Navarro-Costa, investigador da Universidade do Algarve e do Instituto Gulbenkian de Ciência, assinala, citado no comunicado, que os resultados obtidos "podem abrir caminho a novas abordagens no diagnóstico da infertilidade de causa feminina, assim como para o aperfeiçoamento dos meios de cultura embrionária atualmente utilizados em reprodução medicamente assistida".

O cientista explica que a proteína dMLL3/4 "tem a capacidade de instruir o óvulo a desempenhar diferentes funções (...) promovendo a expressão de um conjunto de genes que serão, mais tarde, essenciais para eliminar as diferenças entre os cromossomas herdados da mãe e do pai".Já se sabia que mãe e pai transmitem de forma distinta a sua informação genética aos filhos. "Enquanto os cromossomas maternos contidos no óvulo estão bloqueados em pleno processo de divisão, os cromossomas paternos transportados pelo espermatozoide [célula reprodutora masculina] não só já completaram a sua divisão como também foram compactados para caberem no pequeno volume desta célula", esclarece o comunicado.

Contudo, a forma como o óvulo fertilizado pelo espermatozoide "é capaz de promover a igualdade entre os cromossomas [sequências de material genético] oriundos dos dois progenitores", e que é "essencial para o desenvolvimento do novo ser vivo", intrigava os cientistas.Os resultados da investigação, que usou a mosca-da-fruta como modelo, foram publicados na revista científica EMBO Reports.

COMENTÁRIO


Um progresso na genética é sempre um progresso no mundo. Melhorar as técnicas utilizadas na engenharia genética são cruciais para a manipulação genética. O avanço desta técnica, apesar de haver muitos opositores devido à ética, ajudará a contribuir para erradicação de determinadas doenças e para assegurar a sobrevivência de seres vivos face a alguns desequilíbrios, tal como, espécies em vias de extinção.

É importante conseguir manipular a Natureza para defender e manter a biodiversidade, um exemplo: se uma determinada espécie não consegue se reproduzir no meio em que está enquadrada e, simultaneamente, está em vias de extinção, a espécie não conseguirá sobreviver,deste modo, a criação de santuários, onde manipulem geneticamente as células sexuais de modo a fecundar in vitrio e, atendendo às caraterísticas descobertas, conseguiremos desenvolver espécies saudáveis e suficientemente capazes a sobreviver no meio em que estão enquadradas.

Por isso, é importante não descartar estes conhecimentos. Além do mais, este estudo poderá ajudar pais inférteis a conseguir gerar descendência.

Tag: Genética

E se os pólens escondidos pudessem tratar alergias?

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                                                         Fig. 1 - Tratamento da asma 

Investigadores esperam que os fatores que causam alergias (alergénios) uma vez escondidos dentro de nanopartículas possam servir de tratamento para tornar as pessoas menos sensíveis a estes fatores.
Uma equipa norte-americana de cientistas propõe a utilização de nanopartículas para tratar a asma. A ideia é esconder os fatores que provocam a alergia dentro nanopartículas para reduzir a sensibilidade dos doentes. O trabalho de investigação foi publicado na revista científica Proceedings of National Academy of Sciences.
As doenças alérgicas caracterizam-se por uma resposta inflamatória a fatores (alergénios) que não deveriam desencadear essa reação, como pólens, poeiras ou alimentos. Normalmente, o tratamento das alergias consiste no tratamento dos sintomas, como comichão, espirros, tosse ou pingo no nariz. Também pode ser feito um tratamento prolongado de exposição ao alergénio, numa concentração controlada, para induzir a tolerância do sistema imunitária.
A proposta da equipa de Stephen Miller, investigador na Faculdade Feinberg de Medicina na Northwestern University (Chicago), propõe agora uma solução com menos efeitos secundários e que requer um período de tratamento mais pequeno para atingir os resultados desejáveis: usar nanopartículas como veículos de transporte de alergénios para induzir a tolerância do sistema imunitário.

                                                    FIG. 2 - SINTOMAS DA ALERGIA 
A técnica foi inicialmente testada em doenças autoimunes, como esclerose múltipla ou doenças celíaca, mas agora foi aplicada às alergias e asma. A experiência atual foi conduzida com ratos de laboratório, manipulados para expressarem o mesmo tipo de alergia à ovalbumina que apresentam os humanos. A equipa testou algumas formulações nanopartículas-alergénio, com resultados diferentes: uma com reação anafilática (reação alérgica aguda), outra com maior segurança, mas menos eficácia, e outra ainda com uma formulação biodegradável mais eficaz.
A utilização de nanopartículas combinadas com alergénios apresenta-se como uma possibilidade para o tratamento de alergias e asma, mas tem de se mostrar segura e eficaz. Numa fase posterior, as formulações com o melhor desempenho podem ser testadas em humanos.
COMENTÁRIO


As doenças alérgicas são respostas inflamatórias a fatores alergénios que não deveriam de desencadear essa reação. Porém, as respostas inflamatórias traduzem-se por uma acumulação de substâncias químicas inflamatórias que ativam o sistema imunitário, atraindo ao local os atores da resposta. Este fenómeno designa-se por quimiotaxia e corresponde a uma migração direcional das células em resposta aos gradientes de determinados factores químicos.
Cerca de 30 a 60 minutos após o início da reação inflamatória, os neutrófilos e, mais tarde, os monócitos começam a deformar-se e a atravessar as paredes dos capilares, passando entre as células dessas paredes para os tecidos infetados. Este fenómeno designa-se por diapedese. Os monócitos transformam-se então em macrófagos, células com grande capacidade fagocítica.
Durante estas respostas inflamatórias, os sintomas da alergia podem se tornar graves e até provocar a morte, embora raramente.  
Contudo, se este estudo resultar será possível curar ou minimizar os sintomas a milhares de pessoas com doenças alérgicas. 

Bibliografia 

Feito com por Álvaro Teles e Mónica Silva

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