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Cientistas pedem moratória de cinco anos para edição genética de embriões

NOTÍCIA


A edição do genoma levanta questões técnicas, científicas, médicas, sociais, éticas e morais que, segundo os especialistas, devem ser discutidas a nível internacional. Há falta de segurança e de eficácia, e o futuro da espécie pode estar em risco.
He Jiankui, cientista da Southern University of Science and Technology (SUSTech), na China, anunciou em novembro ter feito a primeira edição genética de seres humanos com sucesso. Recorrendo a uma ferramenta genética chamada CRISPR-Cas9, manipulou os genes de duas bebés gémeas durante um tratamento de infertilidade, para que tivessem uma resistência inata à infeção pelo vírus HIV. Anunciado como um grande avanço, levantou críticas e polémica entre a comunidade científica e a população em geral. Agora, um grupo de cientistas pede que seja criada uma moratória global de cinco anos em todos os usos clínicos desta técnica, ou seja, na mudança de ADN em espermatozoides, óvulos ou embriões para criar crianças geneticamente manipuladas.
No artigo publicado na revista Nature, 18 especialistas de sete países explicam que um "moratória global" não implica uma "proibição permanente". Sugerem, no entanto, que haja uma regra internacional, mas que os países possam tomar as suas decisões, desde que se comprometam a não usar este tipo de ferramentas em ensaios clínicos, se não seguirem as regras estabelecidas.
Em causa, explicam, não está a manipulação genética para fins de investigação, desde que não envolva a transferência de embriões para um útero. E também não se aplica à alteração de genoma em células não reprodutivas para tratar doenças.
Apesar de as técnicas terem melhorado nos últimos anos, os especialistas alertam que a edição do ADN "não é segura ou eficaz o suficiente" para justificar a sua utilização clínica. Há, segundo os mesmos, um risco elevado de serem feitas manipulações não intencionais.
Entre uma vasta gama de possibilidades dentro da manipulação genética, consideram que é importante distinguir "correção genética" de "melhoria genética". Enquanto a primeira permite editar uma mutação responsável por uma doença rara, a segunda implica uma melhoria de indivíduos e espécies. Neste campo, as possibilidades vão desde a melhoria de músculos ou memória à atribuição de novas funções biológicas. E tudo isto levanta muitas questões do ponto de vista ético e social.
"As possíveis consequências não intencionais da edição de genes através do uso de enzimas artificiais como CRISPR são investigadas à medida que a tecnologia penetra em ensaios clínicos com células somáticas humanas para o tratamento de algumas doenças graves", afirmou ao El Mundo Luigi Naldini, um dos cientistas que assina o artigo.
Segundo o diretor do Instituto San Raffaelle Telethon para la Terapia Genética, em Itália, têm sido identificados alguns efeitos adversos, como cortes indesejados de ADN e reordenamento dos cromossomas. Essa é, segundo o mesmo, uma das razões pelas quais o uso desta técnica em embriões "deve ser considerado inseguro neste momento".
Voltando a moratória, os especialistas sugerem que, para começar, haja um período em que não possa ser feita qualquer edição genética, para que sejam discutidas "questões técnicas, científicas, médicas, sociais, éticas e morais", e, assim, se estabelecer um enquadramento internacional. Posteriormente, os países podem escolher qual o caminho que querem seguir.
De acordo com os cientistas, cerca de 30 países já têm legislação que impede, direta ou indiretamente, todos os usos clínicos da manipulação genética, sendo que, nesse caso, poderiam optar por mantê-la. No geral, os países poderiam permitir edição genética em situações específicas, desde que respeitassem determinadas regras, como a divulgação pública da intenção, consultas internacionais, avaliação transparente das motivações, e consenso no país.
É deixada abertura para que os países possam decidir, desde que respeitem "a opinião da humanidade sobre uma questão que acabaria por afetar toda a espécie".
Por cá, o Conselho de Ética para as Ciências da Vida condenou o anúncio da modificação genética com embriões humanos feita pelo investigador chinês, classificando-a como eticamente inaceitável, moralmente irresponsável e que implica riscos imprevisíveis.
COMENTÁRIO

Neste artigo podemos constatar uma das maiores adversidades da engenharia genética: a oposição entre os investigadores e os defensores da ética e da moral. Do meu ponto de vista, acho que a técnica deve ser feita, uma vez que é muito mais viável ter crianças saudáveis e imunes a vírus, tal como o HIV, do que crianças doentes ou, até mesmo, o impedimento de mães/pais inférteis de poderem procriar.
Estamos a falar de células, não são ainda humanos e, por isso, qualquer adversidade que ocorra inesperadamente, poderá ser solucionada através da sua erradicação. Por sua vez, o estudo de um erro ajudará a aperfeiçoar a técnica e fazê-la executar com maior probabilidade de sucesso.
Deste modo, esta moratória poderá trazer avanços incríveis na ciência e, se tudo correr pelo lado positivo, conseguiremos ter crianças imunes à Síndrome da Imunodeficiência adquirida.
Tag: Genética

Homens das estepes e novos mistérios. A Península Ibérica à luz da genética

NOTÍCIA




A maior amostra genética de sempre da Península Ibérica, que abrange os últimos oito milénios, revela movimentos populacionais e dá uma nova perspetiva à história desta zona da Europa, abrindo portas
 a outras visões.
Foi numa questão de 500 anos, mas nesse período relativamente curto, há cerca de quatro mil anos, entre 2500 e 2000 a.C., as linhagens masculinas que existiam na Península Ibérica sofreram uma mudança radical e foram totalmente substituídas pela linhagem dos povos das estepes da Europa Central, região onde hoje é a Ucrânia. Este é um dos resultados mais marcantes de um estudo publicado nesta quinta-feira na revista Science, que usou a maior amostra genética de sempre das populações da Península Ibérica e que, atravessando milénios, desde há oito mil anos até 1600 d.C (há apenas 400 anos), traça a sua história genética, identificando os movimentos populacionais que foram chegando até cá e que influenciaram a história da península.
O grupo que realizou o estudo conta com vários investigadores portugueses das universidades do Minho, Coimbra e Lisboa.
Um estudo anterior, do investigador português Rui Martiniano (que não participa neste trabalho), do Instituto Sanger, no Reino Unido, já tinha revelado esta mesma particularidade em relação a Portugal, da substituição completa, há cerca de quatro mil anos, das linhagens masculinas aqui existentes pela dos homens das estepes, como o próprio investigador explicou ao DN. Na altura fez o seu estudo a partir de 14 amostras. O estudo agora publicado utiliza muitas mais (403), de diferentes zonas de Portugal e Espanha, e confirma que o mesmo aconteceu na generalidade da Península Ibérica.
Ao todo, a equipa, que conta com dezenas de investigadores de vários países, incluindo de Portugal, e que é coordenada por David Reich, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos - um dos líderes mundiais dos estudos de genética populacional e do passado -, analisou os genomas de 403 indivíduos que viveram na Península Ibérica ao longo dos últimos oito mil anos. E depois fez comparações com dados genéticos de outras 975 amostras do passado, mas exteriores à Península Ibérica, e 2900 da população atual.
Entre as amostras do passado há algumas dezenas de Portugal, das regiões da Estremadura, do Alentejo e do Algarve.

Olhar de novo para o passado

A mudança genética ocorrida na Península Ibérica há quatro milénios é total no que diz respeito aos homens e chega aos 40% quando considerada a totalidade da população. "É um dos caso mais evidentes em ADN antigo de uma diferença tão grande entre os dois sexos no período pré-histórico", diz Iñigo Olalde, o principal autor do estudo, que integra a equipa de David Reich em Harvard, nos Estados Unidos.
Como explicar estes dados? Não há uma resposta taxativa para a questão e a única certeza, como sublinham os próprios investigadores no seu artigo, é a de que a genética, só por si, não pode contar a história toda, pelo que os arqueólogos e antropólogos terão de reinterpretar os seus achados à luz da nova informação e voltar ao terreno, em busca de novos dados.
Na prática, podem ter sucedido muitas coisas, como já sublinhava Rui Martiniano a propósito dos seus próprios dados. "A substituição completa das linhagens anteriores no cromossoma Y indica que esses homens do Leste tiveram mais sucesso reprodutivo do que os homens do Neolítico que já cá estavam", disse o investigador, sublinhando que "é difícil" ir além desta interpretação.
A superioridade tecnológica dos povos das estepes pode ter-lhes dado vantagem, que por sua vez se traduziu no seu sucesso reprodutivo. Ou as mulheres preferiram os recém-chegados, num contexto social mais estratificado - não se sabe. Uma coisa é certa, "nada nos registos arqueológicos disponíveis indicia qualquer episódio de violência naquele período na península", como sublinha Carles Lalueza-Fox, da Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona, e um dos coordenadores do trabalho. "A arqueologia e a antropologia têm de tentar perceber o que conduziu a estes padrões genéticos", diz Lalueza-Fox. O arqueólogo português António Valera, da ERA - Arqueologia Oeiras, e um dos coautores do estudo, concorda e já está, precisamente, a fazer isso na zona de Perdigões, no Alentejo, de onde são aliás algumas das amostras que foram usadas neste trabalho para a Península Ibérica. A arqueologia mostra que há cerca de quatro mil anos, naquele mesmo período em que se concretizou a mudança genética agora posta em evidência, "houve alterações importantes na península, mais no sudoeste, que abrange a região do Algarve, do que no sudeste, com um colapso das sociedades do Neolítico, que tinham florescido até aí, durante o anterior milénio e meio", conta António Valera. E sublinha: "Vários trabalhos estão já a mostrar que existe uma relação entre esse colapso e uma grande alteração do clima que ocorreu na altura, com aquecimento da temperatura, na península".
Essa mudança climática pode ter contribuído para um desequilíbrio no interior dessas sociedades de então, levando ao seu colapso, na mesma altura em que os povos oriundos das estepes já tinham também chegado. "Estes dados genéticos obrigam-nos a olhar de novo para os dados arqueológicos", conclui António Valera.

Consultado 15/03 às 19h00:
https://www.dn.pt/vida-e-futuro/interior/homens-das-estepes-e-novos-misterios-a-peninsula-iberica-a-luz-da-genetica-10680408.html
COMENTÁRIO

Encontrar vestígios da evolução da espécie humana ajuda a perceber o que ocorreu no passado com melhor precisão. Este conhecimento, provavelmente, ajudar-nos-á a perceber o porquê destes fenómenos ocorrerem assim e a prever o que poderá acontecer daqui a alguns anos. 
Isto diz algo em concreto a nós, Homens, uma vez que se trata dos nossos antepassados e das primeiras espécies a utilizar a razão em vez do instinto, tentar perceber a que se deveu esta evolução que foi um marco histórico no mundo da biologia. 
Todavia, esta investigação não se trata apenas de perceber os fenómenos históricos e biológicos que ali ocorreram, mas também os fenómenos geológicos daquela zona, uma vez que os vestígios foram bem conservados. Ou seja, há toda uma investigação em volta disto que nos ajudará a perceber o que aconteceu no passado em várias áreas distintas.

Cientistas identificam proteína que coloca cromossomas de pai e mãe em pé de igualdade

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Cientistas portugueses identificaram, numa experiência com a mosca-da-fruta, uma proteína que promove a compatibilidade entre os cromossomas maternos e paternos após a fertilização, perspetivando uma nova abordagem no diagnóstico da infertilidade.
O estudo, hoje divulgado, foi realizado por uma equipa do Centro de Investigação em Biomedicina da Universidade do Algarve e do Instituto Gulbenkian de Ciência liderada por Rui Gonçalo Martinho e Paulo Navarro-Costa.


A proteína em causa, a dMLL3/4, "permite que o óvulo [célula reprodutora feminina] fertilizado seja capaz de assegurar não só a correta divisão dos cromossomas maternos como também a descompactação da informação genética paterna", refere um comunicado conjunto das duas instituições.Paulo Navarro-Costa, investigador da Universidade do Algarve e do Instituto Gulbenkian de Ciência, assinala, citado no comunicado, que os resultados obtidos "podem abrir caminho a novas abordagens no diagnóstico da infertilidade de causa feminina, assim como para o aperfeiçoamento dos meios de cultura embrionária atualmente utilizados em reprodução medicamente assistida".

O cientista explica que a proteína dMLL3/4 "tem a capacidade de instruir o óvulo a desempenhar diferentes funções (...) promovendo a expressão de um conjunto de genes que serão, mais tarde, essenciais para eliminar as diferenças entre os cromossomas herdados da mãe e do pai".Já se sabia que mãe e pai transmitem de forma distinta a sua informação genética aos filhos. "Enquanto os cromossomas maternos contidos no óvulo estão bloqueados em pleno processo de divisão, os cromossomas paternos transportados pelo espermatozoide [célula reprodutora masculina] não só já completaram a sua divisão como também foram compactados para caberem no pequeno volume desta célula", esclarece o comunicado.

Contudo, a forma como o óvulo fertilizado pelo espermatozoide "é capaz de promover a igualdade entre os cromossomas [sequências de material genético] oriundos dos dois progenitores", e que é "essencial para o desenvolvimento do novo ser vivo", intrigava os cientistas.Os resultados da investigação, que usou a mosca-da-fruta como modelo, foram publicados na revista científica EMBO Reports.

COMENTÁRIO


Um progresso na genética é sempre um progresso no mundo. Melhorar as técnicas utilizadas na engenharia genética são cruciais para a manipulação genética. O avanço desta técnica, apesar de haver muitos opositores devido à ética, ajudará a contribuir para erradicação de determinadas doenças e para assegurar a sobrevivência de seres vivos face a alguns desequilíbrios, tal como, espécies em vias de extinção.

É importante conseguir manipular a Natureza para defender e manter a biodiversidade, um exemplo: se uma determinada espécie não consegue se reproduzir no meio em que está enquadrada e, simultaneamente, está em vias de extinção, a espécie não conseguirá sobreviver,deste modo, a criação de santuários, onde manipulem geneticamente as células sexuais de modo a fecundar in vitrio e, atendendo às caraterísticas descobertas, conseguiremos desenvolver espécies saudáveis e suficientemente capazes a sobreviver no meio em que estão enquadradas.

Por isso, é importante não descartar estes conhecimentos. Além do mais, este estudo poderá ajudar pais inférteis a conseguir gerar descendência.

Tag: Genética

Cientistas conseguem fazer nascer crias de ratos de casais do mesmo sexo.

Casais de ratos do mesmo sexo conseguem procriar graças aos cientistas 






NOTÍCIA


Nova técnica que usa células estaminais modificadas apagando grupos químicos do ADN associado ao sexo, fazem nascer crias de ratos de casais do mesmo sexo. Investigação foi realizada pela Academia Chinesa.

Graças a uma nova técnica que mistura células estaminais modificadas apagando grupos químicos de ADN associado ao sexo, é possível reproduzir crias de rato a partir de casais do mesmo sexo.



Muitas espécies conseguem reproduzir-se sem ser necessário haver um casal de macho-fêmea, como anfíbios, reptéis e peixes. Mas o processo é mais difícil quando toca a mamíferos. ”Estamos interessados na questão de os mamíferos apenas puderem submeter-se à reprodução sexual”, afirmou Qi Zhou, o coautor do estudo à revista.


O estudo desenvolveu um processo complicado de modificação genética, já que os cientistas tiveram que eliminar anormalidades geradas no processo reprodutivo de casais do mesmo sexo. Normalmente, os mamíferos herdam dois conjuntos de genes, um do pai e outro da mãe. Contudo, existe um grupo químico do ADN associado ao sexo, chamado ”impressão genética”, que se herda de um só progenitor.


Neste caso, o subconjunto do outro progenitor está inativo, uma vez que ao transmiti-lo é apagado. Caso esse processo não seja concluído de forma adequada a cria pode sofrer anomalias. Misturar material genético de crias do mesmo sexo pode apresentar elevados riscos para os bebés que recebem a importação genética.


                                               Fig.1 - Rato recém-nascido.

Utilizando conjuntos de ADN de ratos fêmea, os cientistas conseguiram reproduzir 29 crias a partir de 210 embriões que conseguiram viver até à idade adulta e reproduzir-se na normalidade. No entanto, os ratos produzidos a partir de material genético masculino só sobreviveram durante 48 horas.



Este é uma investigação importante no ramo científico. Dusko Ilic, investigador da King’s College de Londres, considera que isto ”abre caminho sobre diferentes aspetos da reprodução entre mamíferos e abre novas portas para futuras investigações”, afirmou à agência SMC.



Por outro lado, Christophe Galichet, investigador do Instituto Francis Crick, sublinha que ”os autores deram um passo extremamente importante para que possamos entender o porquê de os mamíferos apenas se puderem reproduzir sexualmente”.

É a primeira vez que este método é aplicado com êxito depois de outras experiências prévias. E ainda que as aplicações desta investigação sejam em grande medida teóricas, poderão melhorar o processo de clonagem nos mamíferos e nos tratamentos de fertilidade para o mesmo sexo.



COMENTÁRIO

A fecundação acontece nos mamíferos quando há a junção de um óvulo com um espermatozóide, ou seja, é necessário existir um sistema reprodutor masculino e um sistema reprodutor feminino, pelo que não pode haver a junção de óvulo com óvulo ou vice-versa.
Porém, a fecundação não necessita necessariamente de relações sexuais pelo que há a reprodução assistida que ajuda casais a procriarem no caso de problemas na fecundação normal. Alguns problemas frequentes são:
- Produção e libertação de espermatozóides em número insuficiente;
-Deficiência na mobilidade dos gâmetas;
-Percentagem elevada de espermatozóides anormais;
-Anomalias na libertação de espermatozóides;
-Exposição a tóxicos, como tabaco, álcool, drogas;
- Anomalias Congénitas;
- Anomalias na secreção hormonal, desencadeando problemas na ovulação;
- Obstrução ou alteração das trompas;
- Problemas ao nível do endométrio;  
- Infeções das vias genitais;
- Muco cervical desfavorável aos espermatozóides.
Devido a estes problemas existem a inseminação intra-uterina ou inseminação artificial, a fertilização in vitro e a Injeção intracitoplasmática de um espermatozóide.
Os cientistas da Academia Chinesa basearam-se nestes processos para que, usando um técnica semelhante, eliminassem parte do ADN dos animais que fosse prejudicial para a cria e assim poder haver a fecundação entre dois animais do mesmo sexo. 
Contudo, esta descoberta e avanço científico pode ser favorável aos casais do mesmo sexo da espécie humana no futuro.



TAG: Genética, Biologia, Investigação

1º bebé após transplante de útero de dadora morta

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O nascimento do primeiro bebé após um transplante de útero de uma dadora morta é um avanço da medicina que vem dar esperança a muitas mulheres, mas que também relança o debate sobre os limites éticos da ciência.
"O mais importante neste caso é que se trata do primeiro parto na História a partir de uma dadora morta", realça Tommaso Falcone, Professor de Cirurgia e Diretor do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Cleveland Clinic, nos EUA.
Veja o vídeo:

O 1º transplante de útero de uma dadora morta a resultar no nascimento de uma criança abre uma nova via no combate à infertilidade feminina, mas também reacende o debate sobre os limites éticos da ciência.O parto ocorreu em dezembro do ano passado, em São Paulo, no Brasil, mas só agora é que o feito foi divulgado ao público até porque as 10 tentativas precedentes de realizar este tipo de transplante de útero falharam.A questão ética está em debate desde que a técnica foi pela primeira vez executada com sucesso no início do milénio.Vários bebés já nasceram após o procedimento, mas o útero era de dadoras vivas, o que implica sempre um risco, como explica um perito nos Estados Unidos.
"Este procedimento já foi realizado na Suécia, na Índia e em Dallas e implica sempre um risco potencial para a dadora do útero. Agora o risco é menor, mas se uma mulher não quiser que exista qualquer risco seja para a mãe ou para uma irmã, então este procedimento dá-lhe uma nova opção", refere Falcone. O chefe da equipa que executou o transplante na Universidade de São Paulo prefere afastar-se das polémicas e pensar no futuro das mulheres que querem ter filhos e não podem por causa de problemas uterinos:
"Esperamos ter mais nados-vivos nos próximos anos e queremos expandir o nosso estudo a muitas mais pacientes", adiantou Dani Ejzenberg. A parturiente foi uma mulher de 32 anos que nasceu sem útero e que conseguiu engravidar logo no primeiro ciclo de fertilização in vitro após ter recebido o transplante. A dadora tinha 45 anos e três filhos quando um enfarte lhe roubou a vida.Os detalhes do procedimento estão publicados na prestigiada revista de medicina, Lancet.
COMENTÁRIO


Este artigo acende, mais uma vez, a oposição entre a ética e a ciência (engenharia genética). Se analisar-mos bem, vemos que apesar do risco, isto não é nada que seja prejudicial. 
Ainda mais, esta nova técnica possibilitará mães com problemas de fertilidade independentemente de qualquer que seja o fator (oncológico, hereditário, etc). Deste modo, várias mulheres que desejem ser mães e estejam a estar sujeitas a este procedimento, deveriam fazê-lo, pois neste caso, quem deve intervir e achar se é correto ou não são as mulheres envolvidas e não os defensores da ética.
O mundo poderá avançar imenso e a ciência fazer coisas inesperadas se abandonar-mos os receios da moral e tentarmos explorar novas alternativas aos nossos problemas. Assim, mulheres saudáveis que faleçam numa idade precoce (e que desejavam ser dadoras de órgãos), poderão contribuir para várias mulheres que desejem ter filhos.

Tag: Genética

Observação de indivíduos de Drosophila melanogaster

Fig 1: Amostra de Moscas - Miradouro da Ribeira Brava



Drosophila melanogastermosca-das-frutas ou mosca-do-vinagre, é uma espécie de insecto díptero. Durante muito tempo as drosófilas foram conhecidas como moscas-das-frutas, entretanto essa nomenclatura já não é mais utilizada por referir-se mais apropriadamente às moscas da família Tephritidae, que causam prejuízo aos fruticultores. As drosófilas se alimentam de leveduras em frutos já caídos em início de decomposição e, portanto, não causam prejuízo. Esta espécie é um dos animais mais utilizados em experiências de genética, sendo dos mais importantes organismos modelo em Biologia.
É utilizada em inúmeros estudos genéticos por apresentar cromossomas "gigantes", formados por várias multiplicações dos filamentos da eucromatina, facilitando sua observação ao microscópio. Possui estruturas chamadas "pufes", que são prolongamentos da eucromatina que permitem um maior contato da mesma com o hialoplasma nuclear, ativando uma área maior do ADN. Cada um de seus olhos compostos possui cerca de 760 omatídeos.

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Fig 2: Fêmea e macho (Consultado em https://goo.gl/jkmcWG)
A sua diferenciação consiste que o Macho tem um corpo menos alongado, possui pênis na parte ventral e um arco genital, existência de um abdómen negro arredondado e possui um pente sexual, enquanto que a fêmea possui um corpo maior, abdómen listrado em riscas claras e escuras alternadamente, possui vagina na parte ventral e não tem pente sexual.

Thomas Hunt Morgan, embriologista, realizou estudos aprofundados com moscas. As moscas estudadas têm dimensões reduzidas e, muito frequentemente, estão sobre os frutos maduros, tendo o nome científico Drosophila melanogaster; sendo, por isso, conhecida por mosca-da-fruta.
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Figura 3: Ciclo de Vida da Drosophila melanogaster (Consultado em https://goo.gl/4T5JXy)

Estas moscas são ideias para a experiência uma vez que apresentam um ciclo de vida bastante curto (26-33 dias). O ciclo divide-se em 4 etapas: ovo, larva, pupa e fase adulta.



ATIVIDADE LABORATORIAL
Material:
  • Amostras de diferentes de lugares de Drosophila melanogaster;
  • Tubos de ensaio;
  • Éter;
  • Recipientes com meio de cultura;
  • Pinças;
  • Caixas de petri;
  • Algodão;
  • Pipetas;
  • Lanterna (opcional)
  • Lupa binocular.
  • Funil;
Procedimento:
  1. Após ter recolhido a amostras da espécie e ter deixado elas se reproduzirem, abra com recipiente com cuidado e cubra com o funil invertido com o tubo de ensaio a tapar a saída.
  2. Aguarde que as moscas subam, se necessitar, utilize a lanterna para acelerar o processo.
  3. Com a pipeta, humedeça o algodão com éter e tape o tubo de ensaio de modo a "adormecer" a espécie Drosophila melanogaster; (CUIDADO: É IMPORTANTE QUE NÃO UTILIZE EXCESSIVAMENTE ESTE PARA NÃO AS MATAR)
  4. Quando as moscas estiverem adormecidas, coloque-as na caixa de petri e observe à lupa para registar as diferenças e identificar caraterísticas de lugares específicos.
Fig 4: A espécie adormecida dentro das caixas de petri

RESULTADOS

Fig 5,6 e 7: Drosophila melanogaster de Câmara de Lobos, São Paulo e Miradoro, respetivamente.
Podemos constar que entre as espécies da Ribeira Brava não há diferenças significativas. Já em oposição, a espécie de Câmara de Lobos apresenta um corpo ligeiramente mais claro.

(Este artigo encontra-se em desenvolvimento)
TAG: Atividade Prática

Ratos cantores ajudam a estudar o autismo

NOTÍCIA



Ouvir e interpretar para depois responder. Esta é a norma para uma conversa padrão, que requer uma coordenação entre sinais sensoriais e uma resposta muscular. Isto acontece em muitas espécies; dos pássaros às rãs, dos humanos aos ratos. No entanto, o processo cerebral que está por trás da formulação vocal ainda suscita muitas duvidas aos cientistas. Um grupo de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Nova Iorque, Estados Unidos, desvendaram um pouco mais sobre como as conversas se formam no cérebro.
O estudo publicado na revista Science concluiu que é no córtex motor que se cruzam vários circuitos e que são estes juntos que formulam o ritmo das conversas. Para isto, os investigadores analisaram a interação entre ratos cantores machos de Alston (Scotinomys teguina), encontrados nas florestas tropicais da América Central e que são capazes de entoar quase cem notas audíveis para atrair as fêmeas. Através da compreensão da atividade cerebral, será possível alcançar novos tratamentos para pacientes com autismo ou com traumas como derrames cerebrais, segundo os autores do estudo.
"O nosso trabalho demonstra diretamente que a região do cérebro do córtex motor é necessária para manter uma conversa", diz um dos autores do estudo Michael Long, professor de neurociência, citado pelo ABC.
Os ratos cantores foram escolhidos pela equipa de investigadores por terem um padrão de conversa muito similar ao dos humanos. Os animais foram expostos a um exame chamado eletromiografia, que analisou os sinais elétricos emitidos no cérebro dos ratos à medida que os músculos das cordas vocais se contraiam. Foi assim que os cientistas perceberam quais as regiões cerebrais ativadas durante o canto. De seguida, os investigadores "desligaram" essas partes do cérebro para confirmar que os sons ficavam desregulados.
"Descobrimos uma divisão de trabalho. Há mecanismos subcorticais que permitem gerar som e há o córtex motor, hierarquicamente superior a esses mecanismos, que comandam as áreas subcorticais, que nos diz quando responder e quão rápido responder", explica Arkarup Banerjee, coautor do estudo.
O laboratório de neurociência da Universidade de Coimbra vai agora avançar com estudos sobre a interação vocal em humanos. "Dez por cento dos norte-americanos sofrem de algum tipo de distúrbio de comunicação, seja como resultado de derrames ou por autismo. Acredito que estes animais abriram uma janela para o nosso conhecimento sobre o que causa esses transtornos e, esperamos, terapias adequadas", afirma o professor Michael Long.
COMENTÁRIO

Encontrar semelhanças entre a espécie humana e alguns mamíferos tem sido o objetivo de vários ciêncitas ao longo do último século de modo a entender aquilo que se processa na natureza e tentar reproduzir em laboratório. De facto, esta estratégia tem nos potencializado o avanço da industria farmacêutica, mas não só, também na industria alimentar. Este conceito, cada vez mais claro e evidente ajuda-nos a identificar os problemas que se dão na espécie Humana de uma forma mais elementar (uma vez que os organismos das outras espécies não são tão desenvolvidos como o da nossa) e, uma vez identificados ajudam-nos a detetar como prevenir ou tratar, trazendo benefícios para a saúde comunitária. Se conseguirmos retardar os processos como o autismo ou até mesmo mantê-lo adormecido/estagnado pode ser uma mais valia para si (o humano afetado por esta anomalia) e poderá ajudar o número de pessoas afetadas pela doença. 
Os ratos foram dos primeiros mamíferos a aparecer no planeta e, por isso, apresentam semelhanças com bastantes mamíferos e daí serem muitas vezes utilizados no laboratório, como é o caso.

Tag: Genética

Feito com por Álvaro Teles e Mónica Silva

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